sábado, 5 de janeiro de 2008

In Rainbows

Sou suspeito como fã do Radiohead p/ julgar a maneira inovadora do lançamento do novo album da banda "In Rainbows". Mas tenho bom senso... não gostei nada do "Amnesiac"... mas acho que se só fosse possível p/ mim salvar um único cd de uma hecatombe nuclear, seria sem dúvida o "Ok Computer".
Bem... começa que eu de tanto aguardar um novo trabalho dos caras fui pego de surpresa, e só consegui os mp3 do álbum através de um amigo meu que comprou (pagou uma libra, o sovina!) mas me pediu p/ fazer o download... e eu obviamente fiz uma cópia p/ mim.
Dez músicas, todas bacaninhas mas só gostei mesmo de quatro delas: Nude, Weird Fishes_Arpeggi, All I Need, e House of Cards (a melhor e a que mais lembra o "velho" Radiohead antes das esquisitices).
Mas a polêmica sobre a maneira da distribuição do novo álbum é que foi legal...
Então agora a EMI acusa o grupo de exigir uma quantia astronômica p/ renovar o contrato e ela, a gravadora foi quem "dispensou" o Radiohead...? Hahahahahaha!
Na verdade, a coisa é mais séria e a negociação (segundo o empresário da banda) envolvia o controle pelo grupo dos direitos autorais de todas as músicas já gravadas... e é claro que a EMI não topou...
E aí o grupo lançou o novo álbum no site da banda com download liberado ("pague o quanto quiser") e zilhões de pessoas baixaram, algumas pagaram... outras não...
Dinheiro limpo na mão da banda, sem passar pela gravadora...
Desde que era adolescente desconfiava que, mais que meios para proporcionar a um artista compor e tocar música com qualidade e garantia de distribuição, as gravadoras influenciavam diretamente na "alma" do artista. Era uma troca que me parecia injusta com o músico nos altos e baixos da inspiração ao longo de sua carreira.
E agora, com a quase extinção dos cds, estamos vendo uma possível extinção das gravadoras enquanto dinossauros onipotentes do mundo da música.
Cada vez mais artistas estão gerenciando suas próprias carreiras, no que me parece um caminho sem volta.
Chegará o dia no qual poderemos comprar "oficialmente" somente as músicas que quisermos e de todos os artistas que quisermos por um preço razoável? Sem precisar de um programa ou tocador desta ou daquela marca, sem precisar de cartão de crédito internacional e sem ser tachado de bandido?
Tenho consciência de que preciso pagar pelo resultado de um trabalho artístico e existe uma cadeia de trabalhadores que dependem disso (além é claro do artista). Mas R$35 um cd?
R$60 um dvd? R$150 um game? Vão p/ PQP!!!
Nem quero saber se a causa são os altos impostos do governo ou a fome insaciável por lucro das empresas... Se a coisa continuar assim, quero mais é que as lojas de cds fechem, as gravadoras fechem e todo mundo faça download pirata mesmo.
Embora as gravadoras e estúdios de cinema tenham todo o direito de espernear, processar adolescentes por download ilegal ou obrigar o povo a ver "terrorismo de stabilishment" (na forma daqueles filminhos asquerosos antes do cinema ou dvd na qual quem faz ou compra produtos piratas é acusado covardemente de contribuir com a violência, tráfico etc) é um golpe baixo esclarecedor do desespero de causa. Acusar e ameaçar o consumidor do seu próprio produto..? tsk tsk tsk...
É incrível a força que a internet proporcionou às idéias subversivas de um modo geral!
Viva a internet! Viva o Google! Viva o LimeWire!

Nenhum comentário: