quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Pequim 2008 II

(continuação do post anterior...)
O trem chega a Lhasa diariamente cheio, mas volta com a metade dos passageiros. Dados recentes informam que 75% dos habitantes da capital são de origem chinesa e só 13% são tibetanos de nascimento (o restante são estrangeiros das mais diversas etnias).
Os empregos públicos e regalias no comércio são dadas somente a chineses. Nas escolas só se ensina o idioma chinês em detrimento do tibetano. A cultura e a tradição tibetanas estão sendo substituidas pelas chinesas. A religião budista de tempos imemorias no Tibete é reprimida.
Os tibetanos estão sendo excluídos em sua própria terra!
Mais que uma transmigração, o que está havendo é um verdadeiro genocídio humano e cultural.
Os turistas ocidentais são "desestimulados" a visitar o país através da terrível burocracia chinesa que funciona exemplarmente neste caso, só o podem fazer "oficialmente" acompanhados por guias "licenciados" pelo governo chinês. Fotografias e visitas a alguns pontos turísticos são proibidas - no Palácio Potala só se pode visitar algumas alas e, o itinerário obrigatório segue do leste para o oeste, só para contrariar a tradição tibetana de milênios de forma sutil e cruel.
Todo o contato dos tibetanos com os turistas ocidentais é vigiado e desestimulado pelas autoridades, pois os estrangeiros simpatizam com a causa tibetana.
Qualquer tibetano é preso se for encontrado em posse de fotos do Dalai Lama.
O Tibete sempre foi uma nação soberana, com história, bandeira, idioma, religião e cultura próprios. Sempre foi uma nação independente e não deveria fazer parte da China.
Mas está sendo agora "colonizado" pela China.
O próprio Dalai Lama abriu mão há tempos de suas reivindicações de independência para o Tibete. Luta agora somente por uma maior autonomia e respeito pelo governo chinês às tradições e religião do país. Mas a quase totalidade dos 1,3 bilhão de chineses foi convencida pela máquina de propaganda do governo que o Tibete "sempre fez parte" da "pátria mãe".
Os interesses da China sobre o Tibete têm como principal motivo as imensidões de terras férteis e as reservas gigantescas de água e de minérios em seu subsolo.
A China, oferecendo ao mundo o maior mercado consumidor potenical, além de produção de bens e fornecimento de mão de obra mais baratos que qualquer outro país, não está nem um pouco preocupada com a opinião do ocidente sobre o Tibete.
Mesmo sem haver liberdade de expressão, além de violações constantes dos direitos humanos na própria China continental e no Tibete, o mundo parece se calar.
Os jogos olímpicos serão uma vitrine e um marco histórico para a China. Todo ativista pró-Tibete está de olho na oportunidade de divulgar a causa do Dalai Lama em prol do povo Tibetano.
Por causa da imensa visibilidade que a mídia internacional dará ao evento, o governo chinês tomará medidas mais brandas contra manifestações durante o evento?
Duvido! Em outubro de 2007 o congresso americano condecorou e homenageou o Dalai Lama, o que enfureceu o governo chinês e quem sofreu foi o povo tibetano. O Monastério de Drepung -um dos três maiores do país - foi cercado pela polícia e fechado por 10 dias para evitar manifestações de apoio.
A repressão virá, e só resta confiar na coragem dos ativistas contra a mão pesada do governo chinês, para mostrar ao mundo na forma de escândalos internacionais se preciso, o total desrespeito às políticas de direitos humanos que vem ocorrendo no Tibete.

A propósito: seria possível um boicote a produtos chineses? Será que é viável não comprar ou consumir nenhum produto "made in china"?
Acho que sou partidário de mais uma causa perdida...

Informe-se mais aqui:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tibete
http://www.freetibet.org/ - (treine seu inglês...)

(informações transcritas da revista Época de 14/01/08 - Tibete, Paraíso e Inferno de autoria de Haroldo Castro, com todo respeito e admiração)

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