Li nesta quinta-feira no caderno Equilíbrio do jornal Folha de São Paulo (http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u361929.shtml) uma reportagem sobre um jovem inglês chamado Daniel Tammet, portador de um raro tipo de autismo, chamado Síndrome de Savant. Os portadores desta síndrome desenvolvem extrema facilidade para cálculos matemáticos além de uma memória prodigiosa, mas geralmente acompanhadas de incapacidade de relacionamento com o "mundo real".
Geralmente... mas não no caso de Daniel.
Ao conseguir superar as barreiras psicológicas de interação com outras pessoas, Daniel conseguiu explicar o que acontece em seu cérebro.
Cada número corresponde, em sua mente, a uma cor, textura, formato ou sentimento: o número um, por exemplo, é como um feixe de luz, já o cinco tem som de trovoada - reação conhecida como sinestesia. Ao fazer uma conta, essas cores e sons se misturam, e o resultado aparece diante de seus olhos, como uma nova imagem.
Incrível, não? Isso lhe confere uma facilidade de memorização fantástica, ao ponto de decorar as casas decimais do PI (relação constante entre o perímetro e o diâmetro de um círculo = 3,1415926535... - eu, que não sou autista decorei na época do colégio até aqui... 10 dígitos) com 22.514 dígitos, cuja recitação demorou mais de 5 horas... Uau! coisa de nerd?
Olha, não é só isso... leia a reportagem e perceba o quanto isso é fascinante!
Será que você, como eu, já duvidou que a sua percepção do mundo pode ser diferente das outras pessoas? Qual a garantia que essa percepção é igual para todo mundo? Nossa descrição pessoal da visão, tato, olfato, paladar, sentimentos e etc...?
Ninguém pode sentir por nós, cabendo unicamente como forma de compartilhamento destas sensações uma descrição literal sobre sentimentos únicos e extremamente pessoais.
Será que o "azul" que eu vejo é o mesmo que você vê?
Por isso sempre tive uma curiosidade enorme sobre os distúrbios da mente, sem ser mórbida, mas com um sentido terapêutico, de que elas acabam oferecendo uma janela para a interpretação do funcionamento da mente humana.
A reportagem também cita algumas características impressionantes sobre a influência que o distúrbio traz no comportamento das pessoas. Em busca de uma rotina que enquadrasse o mundo exterior à rigidez matemática de sua mente, Daniel quando bebê chorava quando o pai alterava seu caminho para levá-lo a creche. Na escola, ficava só em algum canto fazendo cálculos e memorizando coisas sem interagir com outros alunos, e achava que as pessoas eram muito "impresivíveis" em seu comportamento. Até hoje ele sente necessidade de impor "rituais" diários, tal como comer no café da manhã sempre 45 gramas de mingau... pesados numa balança eletrônica...
Longe de ser pitoresco ou engraçado, acho isso encantador, fascinante e digno de uma investigação profunda para saciar uma curiosidade sadia.
Por isso, comprarei o livro que ele escreveu "Nascido em um dia azul" (http://www.siciliano.com.br/livro.asp?tipo=2&id=694266&parc=JAC) e vou dar um jeito de ver um documentário inglês sobre sua vida "The Boy with the Incredible Brain" o mais rápido que eu puder... antes que minha TOC se desenvolva...
1946
Há 13 anos

Nenhum comentário:
Postar um comentário